{"id":19689,"date":"2018-11-03T11:05:30","date_gmt":"2018-11-03T14:05:30","guid":{"rendered":"https:\/\/titividal.com.br\/?p=19689"},"modified":"2018-11-03T11:07:58","modified_gmt":"2018-11-03T14:07:58","slug":"nise-uma-mulher-a-frente-do-seu-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/titividal.com.br\/en\/nise-uma-mulher-a-frente-do-seu-tempo\/","title":{"rendered":"Nise, uma mulher \u00e0 frente do seu tempo"},"content":{"rendered":"<p>Por<a href=\"https:\/\/titividal.com.br\/en\/autor\/pedro-ortiz\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em> Pedro Ortiz<\/em><\/a> e <a href=\"https:\/\/titividal.com.br\/en\/autor\/titividal\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Titi Vidal\u00a0<\/em><\/a><\/p>\n<p>Ela autodenominou-se uma \u201cpsiquiatra rebelde\u201d, percorreu com muita luta e determina\u00e7\u00e3o &#8211; n\u00e3o sem sobressaltos, oposi\u00e7\u00f5es e sacrif\u00edcios pessoais &#8211; caminhos diferentes e desafiadores em sua trajet\u00f3ria pessoal e profissional. \u00c9 considerada, com justi\u00e7a hist\u00f3rica, uma das precursoras da humaniza\u00e7\u00e3o nas terapias com pacientes diagnosticados com dist\u00farbios mentais e psicossociais, como a esquizofrenia. Foi uma mulher extremamente corajosa, desafiou seus colegas e o sistema estabelecido por n\u00e3o aceitar tratamentos violentos e desumanizantes que eram realizados nos hospitais psiqui\u00e1tricos no Brasil. Criou o Museu de Imagens do Inconsciente, foi pioneira na arte-terapia e terapia assistida por animais no Centro Psiqui\u00e1trico Pedro II, no Rio de Janeiro. Seu exemplo de vida, seu legado profissional e humano, a resist\u00eancia pac\u00edfica mas n\u00e3o passiva, sua perseveran\u00e7a e generosidade s\u00e3o inspira\u00e7\u00e3o e aprendizado para todos n\u00f3s, sobretudo em momentos t\u00e3o dif\u00edceis e de futuro incerto que vivemos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Uma psiquiatra rebelde<\/strong><\/p>\n<p>Engenho de Dentro, Rio de Janeiro, 1944. Uma mulher de meia-idade, vestida sobriamente, caminha sozinha pela cal\u00e7ada em dire\u00e7\u00e3o a um grande port\u00e3o de ferro pesado e maci\u00e7o, que parece ser a entrada de um pres\u00eddio. Calmamente, com a m\u00e3o fechada em punho, bate no port\u00e3o algumas vezes. Sem resposta, bate novamente e insiste outra vez. Nada. Come\u00e7a a bater sem parar, j\u00e1 n\u00e3o mais de forma delicada, agora forte, persistente e decidida. Finalmente algu\u00e9m abre. A c\u00e2mera a acompanha e vemos a entrada do ent\u00e3o Centro Psiqui\u00e1trico Nacional, no bairro do Engenho de Dentro, zona norte da cidade do Rio de Janeiro. Ela se apresenta na recep\u00e7\u00e3o. \u00c9 a dra. Nise da Silveira e est\u00e1 em seu primeiro dia de retorno ao trabalho como psiquiatra, ap\u00f3s um longo per\u00edodo afastada do servi\u00e7o p\u00fablico por persegui\u00e7\u00f5es de ordem pol\u00edtica. Uma enfermeira a recebe e a conduz por corredores escuros, passando por alas femininas e masculinas onde os pacientes est\u00e3o trancados atr\u00e1s de pesadas grades. O ambiente lembra mesmo uma penitenci\u00e1ria, n\u00e3o um hospital. Ela chega a um audit\u00f3rio onde m\u00e9dicos, todos homens, est\u00e3o reunidos em um semin\u00e1rio onde s\u00e3o apresentadas as novidades cient\u00edficas para o tratamento psiqui\u00e1trico, como a lobotomia e a convulso-terapia, ou eletrochoque. Diante de uma demonstra\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica da aplica\u00e7\u00e3o dos choques em um paciente at\u00e9 convulsion\u00e1-lo, ela questiona o colega sobre tal brutalidade. Assim come\u00e7a o filme \u201cNise \u2013 o cora\u00e7\u00e3o da loucura\u201d, dirigido pelo cineasta Roberto Berliner, em 2015, com a atriz Gl\u00f3ria Pires interpretando a protagonista.<\/p>\n<p>Esta sequ\u00eancia inicial do filme, que mostra de forma quase documental a trajet\u00f3ria dessa mulher \u00edmpar, que revolucionou a psiquiatria no Brasil ao propor e praticar uma abordagem terap\u00eautica humanizada, radicalmente compreensiva, tamb\u00e9m nos revela um pouco do que seria esse percurso de vida e trabalho de Nise da Silveira. Ela teve que esmurrar muitas portas que estavam fechadas para os tratamentos humanizados, romper preconceitos dentro e fora do universo da medicina, combater o machismo, a arrog\u00e2ncia &#8211; e ao mesmo tempo ignor\u00e2ncia &#8211; de muitos profissionais da \u00e1rea e saltar obst\u00e1culos que sempre surgiram \u00e0 sua frente, no caminho que ela e muitos dos seus disc\u00edpulos, pacientes, simpatizantes, companheiros de trajet\u00f3ria e inspiradores trilharam.<\/p>\n<p>Buscou o caminho oposto ao convencional ao propor um mergulho no inconsciente dos internos \u2013 que ela chamava respeitosa e carinhosamente de \u201cclientes\u201d e, de forma compreensiva ao observar o ser humano que aflorava por baixo de anos de embotamento e viol\u00eancias diversas, f\u00edsicas, ps\u00edquicas e emocionais, propunha um exerc\u00edcio de liberdade para que a pr\u00f3pria atividade criadora de cada um deles pudesse mobilizar v\u00e1rios aspectos da pisque. Para Nise, tanto as dissocia\u00e7\u00f5es e desordens causadas pelos conflitos psicol\u00f3gicos como as for\u00e7as ordenadoras auto-curativas s\u00e3o for\u00e7as instintivas e movimentos que v\u00eam do mesmo inconsciente. Foi pioneira e reuniu em seu trabalho no Centro Psiqui\u00e1trico Pedro II, assim rebatizado anos depois e hoje Instituto Municipal Nise da Silveira, no Rio de Janeiro, a vis\u00e3o, as pesquisas e contribui\u00e7\u00f5es de pensadores, pesquisadores e artistas como C.G.Jung, Antonin Artaud, Gaston Bachelard, Marie-Louise von Franz, Mario Pedrosa, entre outros, na busca da compreens\u00e3o das experi\u00eancias esquizofr\u00eanicas, do manuseio de diferentes materiais de trabalho e as reflex\u00f5es sobre as viv\u00eancias do espa\u00e7o e do tempo.<\/p>\n<p>E ao buscar inspira\u00e7\u00e3o em tantas obras, deixou sua marca e uma obra \u00fanica e inovadora, complexa, compreensiva e transformadora. Nise da Silveira foi capaz de ir al\u00e9m e enxergar que as imagens internas s\u00e3o capazes de sobreviver mesmo quando a personalidade est\u00e1 desagregada, no caso de uma esquizofrenia. Criou ateli\u00eas de pintura e modelagem, o Museu de Imagens do Inconsciente, que possui um dos acervos mundialmente mais importantes na \u00e1rea. Iniciou no pa\u00eds a arte-terapia e a terapia assistida por animais e propiciou a express\u00e3o de muitos artistas-pacientes. V\u00e1rios livros, filmes e document\u00e1rios s\u00e3o dedicados \u00e0 vida e obra de Nise da Silveira, como a trilogia \u201cImagens do Insconsciente\u201d (1983-86), de Leon Hirszman, uma produ\u00e7\u00e3o inovadora e corajosa, constru\u00edda desde a ideia, passando pelo roteiro e pela sua realiza\u00e7\u00e3o a partir das conversas e da rela\u00e7\u00e3o de amizade e confian\u00e7a m\u00fatua que surgiu entre a dra. Nise e o cineasta. Tamb\u00e9m o longa-metragem \u201cNise \u2013 o cora\u00e7\u00e3o da loucura\u201d(2015), de Roberto Berliner, e o livro de Luiz Carlos Mello, \u201cNise da Silveira: caminhos de uma psiquiatra rebelde\u201d (2015). Livro que come\u00e7ou pelas m\u00e3os da pr\u00f3pria Nise, como uma esp\u00e9cie de autobiografia e que s\u00f3 pode ser concretizado ap\u00f3s a sua morte, pelo empenho e dedica\u00e7\u00e3o de Mello, um de seus mais fi\u00e9is e constantes colaboradores, que contou com a participa\u00e7\u00e3o afetiva de tantos outros amigos e amigas . A partir dessas obras, da produ\u00e7\u00e3o da dra. Nise e de v\u00e1rios autores, \u00e9 poss\u00edvel buscarmos uma reflex\u00e3o compreensiva, explorat\u00f3ria e instigadora sobre essa grande brasileira do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>Nas palavras de Marco Lucchesi, poeta, professor de literatura e grande amigo de Nise, ela \u201ctrazia dentro de si um sert\u00e3o profundo, como o de Euclides, Rosa e o Mestre Gra\u00e7a, de quem foi amiga, inventando nomes de personagens, como Caral\u00e2mpia\u201d. Este apelido atribu\u00eddo a ela por Graciliano Ramos, durante a conviv\u00eancia que tiveram como presos pol\u00edticos, depois foi usado pelo escritor para referir-se a ela em duas de suas obras, \u201cMem\u00f3rias do C\u00e1rcere\u201d e \u201cA terra dos meninos pelados\u201d. (Ramos, 1954, p.28-29). Continuando com Lucchesi, Nise \u201ctrazia o ethos do sert\u00e3o, o vigor e a nobreza das coisas que n\u00e3o se dobram, n\u00e3o se vendem. Donde sua cultura marcada por uma fort\u00edssima inst\u00e2ncia moral, sua vontade inquebrant\u00e1vel, frente \u00e0 intoler\u00e2ncia e \u00e0 injusti\u00e7a\u201d (Lucchesi, apud Mello, 2015, p.7). O texto da pr\u00f3pria Nise, abaixo, demonstra esse car\u00e1ter, sua \u00e9tica humana e profissional.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>\u201cDurante esses anos todos que passei afastada, entrou em voga na psiquiatria uma s\u00e9rie de tratamentos e medicamentos novos que antes n\u00e3o se usavam. Aquele miser\u00e1vel daquele portugu\u00eas, Egas Muniz, que ganhou o Pr\u00eamio Nobel, tinha inventado a lobotomia. Outras novidades eram o eletrochoque, o choque de insulina e o de cardiazol. Fui trabalhar numa enfermaria com um m\u00e9dico inteligente, mas que estava adaptado \u00e0quelas inova\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o me disse:<\/p>\n<p>&#8211; A senhora vai aprender as novas t\u00e9cnicas de tratamento. Vamos come\u00e7ar pelo eletrochoque.<\/p>\n<p>Paramos diante da cama de um doente que estava ali para tomar eletrochoque. O psiquiatra apertou o bot\u00e3o e o homem entrou em convuls\u00e3o. Ele ent\u00e3o mandou levar aquela paciente para a enfermaria e pediu que trouxessem outro. Quando o novo paciente ficou pronto para a aplica\u00e7\u00e3o do choque, o m\u00e9dico me disse:<\/p>\n<p>&#8211; Aperte o bot\u00e3o.<\/p>\n<p>E eu respondi:<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o aperto.<\/p>\n<p>A\u00ed come\u00e7ou a rebelde\u201d. (Mello, 2015, p.89)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma longa trajet\u00f3ria, numa vida marcada por grandes dificuldades e desafios superados foi moldando a for\u00e7a quase invenc\u00edvel de Nise da Silveira. Nascida em Macei\u00f3 no ano de 1905, filha de Faustino, professor de matem\u00e1tica e jornalista, e de Maria L\u00eddia, pianista, passou uma inf\u00e2ncia tranquila, tendo a casa frequentada por artistas e intelectuais. Muito cedo, aos 16 anos, foi aprovada e ingressou na Faculdade de Medicina da Bahia, tendo sido a \u00fanica mulher em uma turma de 157 homens. Formou-se em 1926, aos 21 anos de idade.<\/p>\n<p>A morte de seu pai, no ano seguinte, lhe trouxe uma enorme tristeza, at\u00e9 porque Nise e o pai faziam anivers\u00e1rio no mesmo dia e ele veio a falecer cinco dias antes da data. Por todo o resto de sua vida, esse acontecimento foi traum\u00e1tico para ela, que tinha seu pai como seu grande amor. Com sua m\u00e3e, passaram muitas dificuldades. Nessa fase de sua vida, segundo ela mesma, suas mordomias acabaram. E como n\u00e3o conseguiu continuar em Macei\u00f3, tomou um navio e, em 1927, mudou-se para o Rio de Janeiro com seu marido M\u00e1rio Magalh\u00e3es, que tamb\u00e9m havia sido seu colega de faculdade.<\/p>\n<p>O in\u00edcio da vida do jovem casal no Rio foi dif\u00edcil. Inicialmente viveram em uma pens\u00e3o em Copacabana e depois mudaram-se para Santa Teresa, em um quarto alugado numa casa de c\u00f4modos, em frente de onde vivia o poeta Manuel Bandeira, na Rua do Curvelo. Algum tempo depois, alugaram outro quarto em um belo casar\u00e3o com vista para a ba\u00eda da Guanabara. A vida era simples, sobreviviam \u00e0 base de m\u00e9dia com p\u00e3o e manteiga na maioria dos dias, vez ou outra faziam uma extravag\u00e2ncia e comiam um bife. M\u00e1rio conseguiu um emprego, mas o sal\u00e1rio era pouco. Fizeram amizades com pessoas interessantes e descobriram ali a felicidade da vida simples.<\/p>\n<p>Tempos depois, Nise envolveu-se com os assuntos pol\u00edticos. Chegou a frequentar reuni\u00f5es do Partido Comunista Brasileiro, mas n\u00e3o por muito tempo porque \u201cn\u00e3o era de sua \u00edndole ater-se a qualquer enquadramento ideol\u00f3gico\u201d. Chegou a fazer parte da \u201cala m\u00e9dica reivindicadora\u201d da Uni\u00e3o Feminina Brasileira, \u201cque defendia os interesses de mulheres que viviam em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias\u201d. (Mello, 2015, p.67).<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a para o Rio de Janeiro havia sido motivada tamb\u00e9m por sua inten\u00e7\u00e3o em se tornar especialista em neurologia, tanto que chegou a estagiar na \u00e1rea, na cl\u00ednica do dr. Antonio Austrag\u00e9silo, da Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil, atual UFRJ e colaborar com artigos m\u00e9dicos em jornais do Rio de Janeiro e de Alagoas.<\/p>\n<p>Apesar de interessar-se pela pol\u00edtica do pa\u00eds, tinha dificuldade em se acomodar nas organiza\u00e7\u00f5es e acabou sendo expulsa do Partido Comunista, mesmo n\u00e3o sendo filiada ou militante regular. Os companheiros de partido n\u00e3o apoiavam seus estudos para o curso preparat\u00f3rio oficial de psiquiatria, para o concurso p\u00fablico como m\u00e9dica do Hosp\u00edcio Nacional de Alienados, na Praia Vermelha, onde Nise havia ido trabalhar como residente.<\/p>\n<p>O concurso tamb\u00e9m chegou a despertar d\u00favidas nela, mas n\u00e3o exatamente por quest\u00f5es pol\u00edtico-ideol\u00f3gicas. Ela n\u00e3o aceitava acriticamente o que estava em livros e era praticado pelo saber m\u00e9dico estabelecido. Era uma mulher que ouvia sua sensibilidade e usava sua independ\u00eancia com intelig\u00eancia. Por exemplo, os livros diziam que os esquizofr\u00eanicos n\u00e3o possu\u00edam afetividade, mas Nise desconfiava muito disso. Nessa \u00e9poca, por dificuldades financeiras, ficou morando em um quarto na Cl\u00ednica Neuri\u00e1trica, onde era m\u00e9dica auxiliar, e por conviver com os doentes, n\u00e3o via neles o que lia nos livros. O pavilh\u00e3o era ao lado do Hospital Pinel, e ela n\u00e3o gostava da palavra hosp\u00edcio, que n\u00e3o retratava o que via nos internos, de quem gostava muito e apreciava a conviv\u00eancia. Foi assim que decidiu fazer psiquiatria.<\/p>\n<p>Nise da Silveira chegou a ser perseguida pol\u00edtica e presa pela primeira vez, por apenas um dia, em fevereiro de 1936, por ter pertencido \u00e0 Uni\u00e3o Feminina Brasileira. No mesmo ano, em mar\u00e7o, foi presa de novo e levada ao DOPS e uma semana depois ao pres\u00eddio da Rua Frei Caneca, onde ficou at\u00e9 junho de 1937. Havia sido denunciada por uma enfermeira do hospital que viu em sua mesa de trabalho, al\u00e9m dos livros de psiquiatria, outros de arte, alguns sobre marxismo e literatura. Com a pris\u00e3o, Nise perdeu o emprego e foi afastada por oito anos do servi\u00e7o p\u00fablico, cargo que havia sido conquistado por concurso, sob o argumento de que pertencia a um \u201cc\u00edrculo de ideias incompat\u00edveis com a \u201cdemocracia\u201d.<\/p>\n<p>Apesar de ter contato com o Partido Comunista, Nise n\u00e3o era uma militante pol\u00edtica ativa. Em um primeiro momento, foi presa numa cela comum, mas enfrentou essa situa\u00e7\u00e3o e pediu para ser transferida para onde estavam as outras mulheres, entre elas Olga Ben\u00e1rio Prestes e Elisa Berger, presas pol\u00edticas da ditadura Vargas.<\/p>\n<p>O tempo passado na pris\u00e3o, um ano e tr\u00eas meses, \u201cfoi uma experi\u00eancia decisiva\u201d para sua vida. \u201cFoi uma viv\u00eancia muito marcante. Eu fiquei com mania de liberdade\u201d, disse em entrevista a Dulce Pandolfi. (Silveira, 1992, s\/n). Enquanto esteve presa, teve um encontro importante com Graciliano Ramos, e essa rela\u00e7\u00e3o seguiu-se mesmo ap\u00f3s o tempo de pris\u00e3o. Para Nise, essa amizade foi especial, dessas \u201craras amizades, nas quais as pessoas se comunicam de verdade, \u00edntimo a \u00edntimo\u201d (Silveira, 1954, p.24-27). Em 21 de junho de 1937, foi posta em liberdade por n\u00e3o haver processo contra ela.<\/p>\n<p>Depois desse per\u00edodo, ela viveu na clandestinidade, na Bahia e em outros estados do Norte e Nordeste e s\u00f3 no in\u00edcio dos anos 1940 ela e M\u00e1rio casam-se em regime de comunh\u00e3o de bens, porque assim estaria garantindo uma aposentadoria segura para sua esposa, caso viesse a falecer. Ele era delegado federal de sa\u00fade e na \u00e9poca da segunda guerra mundial chegou a viajar bastante para a base a\u00e9rea norte-americana em Dacar.<\/p>\n<p>Tanto enquanto esteve presa, como durante seu ex\u00edlio no pr\u00f3prio pa\u00eds, Nise aproveitou para ler e estudar muito. Leu Freud, Proust, Spinoza e muitos outros autores que foram fundamentais em sua vida. Era simpatizante das ideias socialistas, apesar de haver se afastado do Partido Comunista e n\u00e3o ter se filiado a qualquer outro partido ou organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Imagens do inconsciente<\/strong><\/p>\n<p>Em 17 de abril de 1944, j\u00e1 no final do Estado Novo getulista, a dra. Nise da Silveira foi readmitida no servi\u00e7o p\u00fablico e foi trabalhar no ent\u00e3o Centro Psiqui\u00e1trico Nacional, em Engenho de Dentro (que depois chamou-se Centro Psiqui\u00e1trico Pedro II e hoje em dia chama-se Instituto Municipal Nise da Silveira). Aquelas cenas iniciais do filme dirigido por Roberto Berliner mostram Gloria Pires interpretando a dra. Nise nesse retorno ao trabalho como m\u00e9dica psiqui\u00e1trica.<\/p>\n<p>Enquanto esteve afastada, algumas t\u00e9cnicas e pr\u00e1ticas psiqui\u00e1tricas surgiram e foram consolidadas e Egas Miuniz, que ganhou um pr\u00eamio Nobel, inventou a lobotomia. Havia tamb\u00e9m o eletrochoque, o choque de insulina e o de cardiazol. Na sua volta \u00e0 ativa, foi trabalhar com um m\u00e9dico que praticava tudo isso e queria ensin\u00e1-la. Foi quando, negando-se a utilizar esses m\u00e9todos desumanizantes, iniciou sua trajet\u00f3ria de psiquiatra rebelde e inovadora.<\/p>\n<p>Como n\u00e3o aceitava os m\u00e9todos violentos de \u201ctratamento\u201d, o diretor do hospital confiou-lhe uma \u00e1rea menosprezada. Nise assumiu o novo desafio e em 1946 fundou a Se\u00e7\u00e3o de Terap\u00eautica Ocupacional, uma inova\u00e7\u00e3o para a \u00e9poca dentro de um hospital psiqui\u00e1trico. Aos poucos, transformou o local em um atelier de pintura, modelagem, escultura. No trabalho dos pacientes-clientes, \u201cdesenho e pintura espont\u00e2neos revelaram-se de t\u00e3o grande interesse cientifico e art\u00edstico que esse atelier cedo adquiriu posi\u00e7\u00e3o especial\u201d (Silveira, 1981, p. 15).<\/p>\n<p>Apesar da personalidade dos internos totalmente desagregada, as imagens sobreviviam e mesmo sem nunca haverem pintado antes da esquizofrenia, conseguiam manifestar uma intensa criatividade imagin\u00e1ria. Um de seus pacientes, Fernando Diniz, disse que mudou \u201cpara o mundo das imagens. Mudou a alma para outra coisa. As imagens tomam a alma da pessoa\u201d. (Silveira, 1981, p. 15). E, de acordo com Nise, se as imagens tomam a alma da pessoa, \u201centende-se a necessidade de destac\u00e1-las tanto quanto poss\u00edvel do rold\u00e3o invasor. Pintar seria agir. Seria um m\u00e9todo de a\u00e7\u00e3o adequado para a defesa contra a inunda\u00e7\u00e3o pelos conte\u00fados do inconsciente\u201d. E assim, ela e seus assistentes passaram a incentivar a express\u00e3o das imagens do inconsciente atrav\u00e9s da arte.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que outros psiquiatras diziam ao acreditar que a abstra\u00e7\u00e3o nas imagens significava um embotamento afetivo, Nise da Silveira, que acompanhava todo processo de cria\u00e7\u00e3o e convivia com os esquizofr\u00eanicos que, para ela, eram seres humanos como os outros, percebia que a abstra\u00e7\u00e3o vinha da inquieta\u00e7\u00e3o interior e que, assim, a \u201carte vir\u00e1 retirar as coisas desse redemoinho perturbador, vir\u00e1 esvazi\u00e1-lo de suas manifesta\u00e7\u00f5es vitais sempre inst\u00e1veis para submet\u00ea-las \u00e0s leis permanentes que regem o mundo inorg\u00e2nico\u201d. Ou seja, \u201cpor meio de processos de abstra\u00e7\u00e3o, o homem procura \u2018um ponto de tranquilidade e um ref\u00fagio\u2019\u201d(Silveira, 1981, p.20).<\/p>\n<p>De acordo com a dra. Nise, a experi\u00eancia no aterlier de pintura do hospital psiqui\u00e1trico confirmou o recuo dos esquizofr\u00eanicos com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade externa, t\u00e3o amea\u00e7adora e, ao mesmo tempo, um medo da realidade interna, provavelmente mais amea\u00e7adora ainda. Em outras palavras, ela tamb\u00e9m identificou a linguagem abstrata como uma maneira de dar forma a segredos pessoais, satisfazendo uma necessidade de express\u00e3o sem que os outros os devassassem por completo (Silveira, 1981, p.22). Em 1952, Nise e sua equipe criam o Museu de Imagens do Inconsciente, que re\u00fane atualmente em seu acervo 360 mil obras de arte, sendo mais de 120 mil tombadas pelo IPHAN (Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional).<\/p>\n<p>Anos antes, em 1947, uma primeira exposi\u00e7\u00e3o re\u00fane, fora do Hospital, obras pintadas pelos internos, na sede do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o no centro do Rio de Janeiro. V\u00e1rios intelectuais, entre eles o renomado cr\u00edtico de arte M\u00e1rio Pedrosa, visitam a mostra e ficam impressionados pela qualidade art\u00edstica dos trabalhos, que tamb\u00e9m despertam certa pol\u00eamica e vis\u00f5es conservadoras por outro lado. \u00c9 famoso na \u00e9poca o embate entre Pedrosa e o cr\u00edtico Quirino Campofiorito, que n\u00e3o reconhecia valor art\u00edstico nas pinturas dos esquizofr\u00eanicos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cO artista n\u00e3o \u00e9 aquele que sai diplomado da Escola Nacional de Belas Artes, do contr\u00e1rio n\u00e3o haveria artistas entre os povos primitivos, inclusive entre os nossos \u00edndios. Uma das fun\u00e7\u00f5es mais poderosas da arte \u2013 descoberta da psicologia moderna \u2013 \u00e9 a revela\u00e7\u00e3o do insconsciente, e este \u00e9 t\u00e3o misterioso no normal como no chamado anormal. As imagens do insconsciente s\u00e3o apenas uma linguagem simb\u00f3lica que o psiquiatra tem por dever decifrar. Mas ningu\u00e9m impede que essas imagens e sinais sejam, al\u00e9m do mais, harmoniosas, sedutoras, dram\u00e1ticas, vivas ou belas, enfim, constituindo em si verdadeiras obras de arte\u201d. (Pedrosa, 1947)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sempre atenta \u00e0s inova\u00e7\u00f5es nos estudos da psiquiatria e da mente humana, Nise da Silveira manteve uma profunda rela\u00e7\u00e3o com C.G. Jung. Foi uma grande estudiosa e pioneira na divulga\u00e7\u00e3o da obra e das ideias dele no Brasil. Criou um grupo de estudos sobre Jung e chegou a se corresponder com ele por muito tempo, inclusive conheceram-se pessoalmente em 1957, em Zurique, na Su\u00ed\u00e7a, quando ela viajou a convite dele para participar do II Congresso Internacional de Psiquiatria, com uma bolsa de estudos conquistada junto ao CNPq. Durante o congresso, Nise organizou em cinco salas a exposi\u00e7\u00e3o <em>A Esquizofrenia em Imagens<\/em>, que Jung fez quest\u00e3o de inaugurar, com obras dos artistas do Museu de Imagens do Insconsciente.<\/p>\n<p>A partir dessa estadia na Su\u00ed\u00e7a e no Instituto C.G. Jung, ela tamb\u00e9m manteve uma longa rela\u00e7\u00e3o com Marie Louse Von-Franz, uma das principais assistentes e disc\u00edpulas de Jung. Nise traduziu a obra de Jung aplicada ao que via na arte dos esquizofr\u00eanicos de quem cuidou, observando as imagens circulares que provam que as for\u00e7as inconscientes mant\u00e9m-se vivas na esquizofrenia, e que de alguma forma existe uma compensa\u00e7\u00e3o \u00e0 dissocia\u00e7\u00e3o do consciente. Por ter estudado profundamente Jung, tamb\u00e9m p\u00f4de observar a forte presen\u00e7a de elementos do inconsciente coletivo na arte dos esquizofr\u00eanicos. Os arqu\u00e9tipos e o que Jung percebeu como sendo a estrutura ps\u00edquica b\u00e1sica comum a todos os seres humanos est\u00e3o presentes tamb\u00e9m no inconsciente dos esquizofr\u00eanicos, que podem manifestar tais elementos atrav\u00e9s da arte.<\/p>\n<p>Os animais, especialmente os gatos, tamb\u00e9m fizeram parte da vida e do trabalho de Nise da Silveira. Foi por conta de um gato que ela transformou o velho conceito de Terapia Ocupacional em Emo\u00e7\u00e3o de Lidar. A presen\u00e7a dos gatos na vida de Nise e de seus pacientes, como sua presen\u00e7a na arte, inspirou sua obra e sua vis\u00e3o de mundo. Por exemplo, a pintura de uma gata feita por Victor Brauner oferece, nas palavras da psiquiatra, o mais exato conceito de esquizofrenia (Silveira, 1998, p.29). Em seu trabalho cotidiano no hospital, tamb\u00e9m p\u00f4de observar a rela\u00e7\u00e3o entre os esquizofr\u00eanicos e os c\u00e3es e gatos e percebeu o afloramento da afetividade deles, presente ao lidar com os animais. Eles, os cachorros e os gatos, foram seus co-terapeutas por d\u00e9cadas e fundamentais no exerc\u00edcio de seu trabalho como psiquiatra.<\/p>\n<p>Ela dirigiu a Se\u00e7\u00e3o de Terapia Ocupacional no Centro Psiqui\u00e1trico Pedro II entre os anos de 1946 e 1974, e nesse trabalho incans\u00e1vel, de d\u00e9cadas, descobriu as incont\u00e1veis riquezas preservadas no inconsciente de seus pacientes-clientes. Para ela, sabedoria e loucura s\u00e3o originadas na mesma fonte e, justamente quando uma pessoa considerada ajuizad\u00edssima comete um ato de loucura, ela descobre muito sobre sua forma de viver.<\/p>\n<p>Preocupada com a assist\u00eancia terap\u00eautica aos pacientes que viviam uma esp\u00e9cie de ciclo vicioso de reinterna\u00e7\u00f5es, Nise e amigas m\u00e9dicas decidem investir na cria\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o para atendimento humanizado a essas pessoas. \u201cO espantoso n\u00famero de reinterna\u00e7\u00f5es, 70%, dava testemunho de que algo estava errado no conjunto do tratamento psiqui\u00e1trico. Da\u00ed nasceu a ideia de criar um setor do hospital que funcionasse como uma esp\u00e9cie de ponte entre o hospital, a fam\u00edlia e o meio social\u201d. Mas, infelizmente, \u201cessa proposta n\u00e3o teve nenhuma repercuss\u00e3o\u201d (Silveira, 197_). Ent\u00e3o, decidem buscar uma sa\u00edda fora do hospital e conseguem a cess\u00e3o do segundo andar de um casar\u00e3o antigo no bairro da Tijuca, que havia sido cedido em parte pela propriet\u00e1ria para um col\u00e9gio da APAE. Batizado como Casa das Palmeiras, o espa\u00e7o vai ser durante muitos anos uma experi\u00eancia inovadora e precursora da luta antimanicomial. \u201cA Casa das Palmeiras foi criada em 1956, com as portas e janelas abertas para os loucos. E me diziam: voc\u00ea \u00e9 louca, vai acontecer um desastre. Desastres acontecem, o que se vai fazer? Mas a Casa est\u00e1 aberta, liberdade n\u00e3o faz mal a ningu\u00e9m\u201d. (Silveira, 1987).<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Em busca do espa\u00e7o cotidiano<\/strong><\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 muito tempo estou tentando fazer esse filme\u201d. Em 1968, o cineasta Leon Hirszman assiste no Hospital Pedro II a uma leitura da pe\u00e7a \u201cAs bacantes\u201d, de Eur\u00edpedes, onde o ator Rubens Corr\u00eaa, a convite de Nise da Silveira, l\u00ea o papel de Dioniso. \u201cUm dos internos, Fernando Diniz, tocava pandeiro, fazia o ritmo. Eu fiquei tomado. Era um semin\u00e1rio sobre o mito de Dioniso, num clima de leituras de Reich, de uma literatura p\u00f3s-freudiana, uma grande efervesc\u00eancia cultural\u201d, lembraria o cineasta sobre aquela primeira experi\u00eancia de contato com Nise e seu trabalho. (Hirszman, 1995, p.66). \u201cSeis anos depois est\u00e1vamos os dois, Nise e eu, apaixonados pela ideia de fazer um filme\u201d. (Hirszman, 2015, p.6). O projeto acalentado por ambos, que j\u00e1 eram amigos nessa \u00e9poca, come\u00e7a a ganhar a forma de um roteiro cinematogr\u00e1fico a partir de 1974. Ela escreve inicialmente a hist\u00f3ria de Fernando Diniz, que vai resultar no primeiro document\u00e1rio da trilogia, <em>Imagens do Inconsciente<\/em>, filmada por Leon entre os anos de 1983 e 1986.<\/p>\n<p>\u201cCome\u00e7amos a trabalhar assim que a dra. Nise conseguiu unificar numa narrativa a dolorosa experi\u00eancia afetiva de Fernando, dilacerado pela brutalidade cotidiana. Negro, filho de uma empregada dom\u00e9stica baiana, busca recuperar o espa\u00e7o cotidiano pintando um quadro \u2013 a pintura em luta constante contra o caos, um caos vivenciado como uma paix\u00e3o, um amor imposs\u00edvel por uma mo\u00e7a de outra classe social. O sofrimento causado pela rejei\u00e7\u00e3o for\u00e7ou sua identifica\u00e7\u00e3o e submiss\u00e3o \u00e0 m\u00e3e, por quem tinha grande respeito. Fernando submerge como uma autodefesa, para viver no inconsciente\u201d. (Hirszman, 2015, p.8-9).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al\u00e9m do primeiro filme centrado na hist\u00f3ria de Fernando Diniz e sua trajet\u00f3ria como artista, o segundo epis\u00f3dio, <em>No reino das m\u00e3es<\/em>, vai mostrar o percurso de Adelina Gomes e sua transforma\u00e7\u00e3o a partir da arte. \u201cAtrav\u00e9s da pintura, conseguiu expulsar os fantasmas da m\u00e3e castradora, recuperando a sua condi\u00e7\u00e3o feminina\u201d, destaca o diretor, lembrando que tiveram acesso \u201ca um tesouro que a dra. Nise nos propiciou por uma quest\u00e3o de confian\u00e7a\u201d. (Hirszman, 2015, p. 10-11). J\u00e1 no terceiro filme, <em>A barca do sol<\/em>, o personagem \u00e9 Carlos Pertuis. \u201cCreio eu, foi o maior desafio que Leon encontrou. E tamb\u00e9m o trabalho que mais fasc\u00ednio teve sobre ele\u201d, recorda Nise ao homenagear o amigo cineasta que morreu precocemente, em 1987. (Silveira, 1987). Logo ap\u00f3s a conclus\u00e3o dos document\u00e1rios, Leon e equipe filmaram uma longa entrevista com Nise, mas ele n\u00e3o teve tempo para editar o material. Eduardo Escorel, amigo e colaborador, vai realizar essa montagem em 2014, como um <em>Posf\u00e1cio <\/em>da bel\u00edssima obra conjunta de Leon e Nise.<\/p>\n<p>Em 30 de outubro de 1999, Nise da Silveira falece no Rio de Janeiro, depois de quarenta dias internada no Hospital da Lagoa. Sua vida e seu trabalho foram extremamente compreensivos, ao olharem para o ser humano inteiro, incluindo sua estrutura b\u00e1sica da psique e o inconsciente preservados. Foi capaz de enfrentar m\u00e9dicos e tantas cr\u00edticas que sofreu em vida para praticar aquilo que acreditava e desenvolver uma trajet\u00f3ria pioneira e inovadora, que revolucionou a forma de lidar com a esquizofrenia no Brasil e no mundo.<\/p>\n<p>\u201cO poeta do espa\u00e7o<\/p>\n<p>\u00c9 um andarilho errante<\/p>\n<p>Ele salta de um planeta a outro<\/p>\n<p>De uma estrela a outra<\/p>\n<p>em grandes passadas<\/p>\n<p>ele n\u00e3o carrega nem cajado nem sacola<\/p>\n<p>ele \u00e9 livre\u201d (Nise da Silveira)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>BERLINER, Roberto. <em>Nise \u2013 o cora\u00e7\u00e3o da loucura.<\/em> DVD, Imagem Filmes, 2015.<\/p>\n<p>HIRSZMAN, Leon. <em>Imagens do inconsciente (1983-1985).<\/em> DVD e Livreto. Rio de Janeiro: Instituto Moreira Salles, 2015.<\/p>\n<p>HIRSZMAN, Leon. <em>\u00c9 bom falar.<\/em> Cat\u00e1logo do Centro Cultural Banco do Brasil. Rio de Janeiro, 1995, p. 66.<\/p>\n<p>MELLO, Luiz Carlos. <em>Nise da Silveira \u2013 caminhos de uma psiquiatra rebelde.<\/em> Rio de Janeiro: Autom\u00e1tica Edi\u00e7\u00f5es, 2015.<\/p>\n<p>PEDROSA, M\u00e1rio. Correio da Manh\u00e3. Rio de Janeiro, 7 fev. 1947.<\/p>\n<p>RAMOS, Graciliano. <em>Mem\u00f3rias do C\u00e1rcere.<\/em> Rio de Janeiro: Jos\u00e9 Olympio, 1954. v.2, p. 28-29.<\/p>\n<p>SILVEIRA, Nise da. <em>Imagens do inconsciente.<\/em> Rio de Janeiro: Alhambra, 1981.<\/p>\n<p>SILVEIRA, Nise. <em>O mundo das imagens<\/em>. S\u00e3o Paulo: \u00c1tica, 1992.<\/p>\n<p>SILVEIRA, Nise da. <em>Gatos &#8211; A Emo\u00e7\u00e3o de Lidar.<\/em> Rio de Janeiro: L\u00e9o Christiano Editorial, 1998.<\/p>\n<p>SILVEIRA, Nise. <em>Jung: vida e obra.<\/em> Rio de Janeiro, Jos\u00e9 \u00c1lvaro Ed.,1968.<\/p>\n<p>SILVEIRA, Nise. <em>Entrevista concedida a Dulce Pandolfi.<\/em> Rio de Janeiro: Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas, 26 set. 1992.<\/p>\n<p>SILVEIRA, Nise. <em>Doze personagens falam de um autor.<\/em> Revista Manchete, Rio de Janeiro: Bloch Editores, n.90, p.24-27, 9 jan.1954. Entrevista concedida a Darwin Brand\u00e3o.<\/p>\n<p>SILVEIRA, Nise. Manuscrito (197_). Arquivo Nise da Silveira \u2013 SAMII (Sociedade de Amigos do Museu de Imagens do Insconsciente).<\/p>\n<p>SILVEIRA, Nise. Depoimento feito ap\u00f3s a morte de Leon. Manuscrito. Rio de Janeiro, 22 de outubro de 1987. Arquivo Nise da Silveira \u2013 SAMII (Sociedade de Amigos do Museu de Imagens do Insconsciente).<\/p>\n<p>SILVEIRA, Nise. Entrevista concedida a Luiz Carlos Lisboa. O Estado de S\u00e3o Paulo, S\u00e3o Paulo, ano 7, n. 345, 24 jan. 1987. Caderno de Cultura.<\/p>\n<p>VON FRANZ, Marie Louise. <em>The cat: a tale for feminine redemption.<\/em> Canad\u00e1: Inner City Books, 1999.<\/p>\n<p>Ocupa\u00e7\u00e3o Nise da Silveira, Ita\u00fa Cultural. S\u00e3o Paulo, de 25\/11\/2017 a 28\/01\/2018. <a href=\"http:\/\/www.itaucultural.org.br\/ocupacao\/nise-da-silveira\/\">http:\/\/www.itaucultural.org.br\/ocupacao\/nise-da-silveira\/<\/a><\/p>\n<p><em>Foto: Centro Cultural da Sa\u00fade \u2013 Minist\u00e9rio da Sa\u00fade<\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Pedro Ortiz e Titi Vidal\u00a0 Ela autodenominou-se uma \u201cpsiquiatra rebelde\u201d, percorreu com muita luta e determina\u00e7\u00e3o &#8211; n\u00e3o sem sobressaltos, oposi\u00e7\u00f5es e sacrif\u00edcios pessoais &#8211; caminhos diferentes e desafiadores em sua trajet\u00f3ria pessoal e profissional. \u00c9 considerada, com justi\u00e7a hist\u00f3rica, uma das precursoras da humaniza\u00e7\u00e3o nas terapias com pacientes diagnosticados com dist\u00farbios mentais e&#8230;<\/p>","protected":false},"author":16,"featured_media":19691,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[419],"tags":[499,500,501,502],"class_list":["post-19689","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-colaboradores","tag-nise-da-silveira","tag-psicologia","tag-esquizofrenia","tag-arte"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.8 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Nise, uma mulher \u00e0 frente do seu tempo &#8902; 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