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titi vidal é astróloga, terapeuta e taróloga. Clique aqui para conhecer mais sobre ela
Tapetes Voadores – I
27
nov
Por Carlos Fini
Muito já se ouviu falar em objetos valiosos e de muito requinte. Relógios Cartier, automóveis Ferrari, porcelanas chinesas, vidros Murano, e uma incontável quantidade de outros tantos ícones de beleza e tradição. Com custos elevados e de difícil aquisição nos mercados mundiais, tornam-se sonho de consumo de muitas pessoas. Nada que um punhado razoável de notas verdes não resolva. Entretanto, quando nos referimos a tapetes, logo nos vem a mente: “ Pérsia “. A fama tem no mínimo uma boa justificativa : São pelo menos três mil anos de tradição na arte da tapeçaria. Mas afinal, o que isto tem a haver com a Astrologia ?
Para responder esta intrigante questão, é necessário entender algumas premissas básicas. A primeira e mais elementar é que a “ Persia antiga “ nada mais é que hoje a região ocupada pelo Irã, o Iraque, a Turquia e outros países da região, onde os domínios do antigo império Persa fincou suas bandeiras ou seja : o oriente médio, sem medo de ser inexato.
No caso, surgem na mesma região a Astrologia e a tradição da tapeçaria. É sempre interessante lembrar que a Mesopotâmia foi o berço da Astrologia que conhecemos. Tudo se resumiria entretanto a uma questão de Latitude e Longitude ?
O grande enigma a se entender é : Por que teceram e tecem os povos daquele lugar ? Quais suas intenções ao fazerem isto ? Os sinais utilizados em sua arte são meramente decorativos ou correspondem a alguma tradição antiga ? As cores utilizadas são artifícios de venda, e propósitos para o cliente combinar o tapete com a cortina em alguma American House?
Para entendermos uma cultura devemos mergulhar nela, e nunca interpreta-la com nossa miopia civilizatória.
O Irã hoje, é o maior representante desta tradição, tendo a preservado e tornado uma de suas principais divisas econômicas. Mais de dezoito milhões de pessoas trabalham hoje no comércio, distribuição e manufaturação de tapetes neste país. Alguns aspectos devem ser levados em conta, se queremos nos iniciar neste assunto, e tomarei o Irã como uma das melhores referências para este ensaio .
Tapeçaria Nômade ( Espontaneidade , simplicidade e comunhão com o meio ambiente )
São tapetes conhecidos como “ Tribais “. São geralmente rústicos, pequenos, e de pelagem em lã sobre lã ou algodão de qualidade baixa ( Se comparados a outros vindos do mesmo Irã ). Dominam os motivos geométricos.
Além de protegerem e trazerem mais conforto às tendas, a beleza e a harmonia de suas cores é lhes um agradável alento, se confrontado com a pobreza das cores vindas do deserto na maior parte do ano.
A lã é retirada dos carneiros, recebendo tingimento vegetal, podendo a pelagem ser alta , baixa, ou inexistente.
Tecidos por tribos nômades que se movimentam em função de pastagens verdes para seus rebanhos, estes povos tecem tapetes muitas vezes irregulares e sem um planejamento mais sofisticado, refletindo assim a irregularidade de suas próprias vidas. As imagens observadas no meio ambiente são retratadas em cada peça. O laranja e o vermelho ( cor do deserto ao por do sol ) mesclados ao azul salpicado de pequenos pontos brancos no topo do tapete, revelam um pouco do imaginário do artista relativo a seu relacionamento com o meio ambiente : o deserto e o céu. Alguns mais sofisticados, demonstram as quatro fases do dia e o comportamento dos seres sob estas condições.
As tapeçarias recebem os nomes das tribos de origem. Kilin Bojnoord, Yalameh, Turkamon, e Gabbeh entre outros, são nomes conhecidos pelos colecionadores e
possuem características muito singulares.
A iconografia da tapeçaria nômade não vai muito além do dia a dia, e por isto, são geralmente pobres em significados cosmológicos tradicionais se comparados aos das grandes cidades do Irã.
Tapeçaria das grandes cidades ( Cosmologia , Religião, Filosofia e Arte )
Num outro degrau, estão as tapeçarias das grandes cidades. A civilização sedimentada precisa possuir calendário, sistemas de trabalho em equipe, organização política, e obviamente uma ciência se quiser existir. Se existiu, é porque preservou o conhecimento e o divulgou entre seus mais cultos membros. Qual seria então o meio de divulgação desta cultura ?
Para europeus, as catedrais são um bom exemplo. Para Aztecas o calendário do Sol esculpido em pedra, serve-nos de referência. Egípcios utilizaram os papiros e os povos da Mesopotâmia as pequenas tabuinhas em argila com escrita cuneiforme.
Um aspecto a se salientar é o da unicidade do conhecimento como característica dos povos tradicionais. Ciência, Religião, Filosofia, e Arte andavam juntas nesta época. O sentimento religioso e o conhecimento científico encontravam na arte seu ponto de comunhão. Utilizavam-se dos conhecimentos tradicionais ( Os mesmos da Astrologia ) para edificarem seus templos e Mesquitas de oração. Nelas, erguiam cúpulas que representavam o céu, e nas mesmas desenhavam a “ harmonia “ que a tradição dizia estar em toda parte. O templo é o reflexo do universo. No chão destes templos Iranianos não há bancos, e sim tapetes. A tapeçaria neste caso, torna-se parte de um engenhoso projeto decorativo que visa transportar os fiéis às origens do Universo e a comunhão com Deus.
Se o cosmos é perfeito e harmonioso, os tapetes também o devem refletir. Não há pressa em tece-los. Pode-se levar muitos anos para terminar uma peça, ocupando dezenas de pessoas que trabalham para finaliza-lo. A densidade de nós pode chegar ao incrível número de dois milhões de nós por metro quadrado !
A seda e a lã sobre algodão de primeiríssima qualidade é sua matéria prima. Aí estão as verdadeiras obras de arte. Há mestres específicos para cada etapa : Preparação de tear, tingimento vegetal da lã, qualidade da mesma, “carpet designers “, desenhistas de cartões quadriculados, tecelões, e aparadores. Quando se compra uma peça destas, é importante entender que muitos mestres trabalharam em sua confecção.
Não precisa ser um gênio para adivinhar que eles retratam nestes tapetes toda a história tradicional que receberam a milênios. Ensinamentos contidos em seus livros sagrados, e toda a cosmologia ensinada desde milênios está ali iconografada.
As cidades
Cada cidade do Irã é um mundo. As culturas de cada região se preservaram e possuem hábitos muito particulares. Em cada uma destas, existem inúmeros mestres da tapeçaria que transmitem para suas famílias todo o conhecimento não só da tapeçaria, mas toda uma gama de conhecimentos recebidos de seus pais e avós, preservando assim sua tradição cultural. Muitos destes, são profundos estudiosos de história e filósofos como o mestre de Nain “ Habibian “ um dos maiores idealizadores de tapetes de todos os tempos.
Os tapetes ganham seus nomes das cidades de onde foram tecidos. Alguns famosos tapetes são : Bidjar ( O iron carpet ) , Esfahan, Nain, Yezd, Kashan, Sabzevar, Kerman, Mashad ( os tapetes da cidade santa ), Kashmar, Hamadan, e o poderoso Tabriz. A lista é grande.
Todos estes nomes são cidades do Irã.
Em cada tapete de cada cidade, um pouco desta cosmologia pode ser demonstrada. Não existem duas peças iguais.
Kashmar
A cidade de Kashmar, localiza-se a norte do deserto da kavir nas próximidades da cidade santa de Mashed. Uma das características básicas desta tapeçaria é resgatar a antiga história da tradição Persa. Potes, ânforas, jarros, vasos, artefatos bélicos se misturam a árvores, pássaros, compondo um todo harmonioso singular. Muitos institutos de preservação histórica do Irã, fornecem estes antigos desenhos aos artesãos que os colocam nos tapetes que serão enviados para fora de seu país, como traços vivos de sua cultura. São verdadeiros livros de história em forma de obra de arte.
Destacarei um extraordinário Kashmar do acervo do “ Medalhão Persa “ , representante oficial de uma empresa estatal do Governo do Irã para divulgação desta cultura no Brasil e América.
Ele foi tecido com alta densidade de nós, e sua metragem ultrapassa seis metros quadrados de área. Representa ele em seu centro, um zodíaco astrológico com as atividades do ano na antiga Pérsia, tal como eram desenhados a milênios. Em torno deste zodíaco, as quatro estações do ano estão representadas, inclusive com a expressão dos animais de acordo com cada fase. As bordas maravilhosamente ornamentadas com ânforas e flores e as cantoneiras contendo grandes templos e palácios da Pérsia.
No zodíaco pode-se destacar :
1 ) O Sagitário ( O período da caça )
2 ) O Aquário ( Período das chuvas ) com um utensílio para guardar a água.
3 ) O Carneiro ( tosquia do carneiro em março )
4 ) Virgem ( período da colheita ) representado por uma foice e ramos de trigo.
5 ) Libra ( a partilha ) o alimento é repartido entre seus membros.
As imagens do zodíaco estão envolvidas por um azul escuro ( céu ) com estrelas. É a eclíptica. ( Caminho aparente do Sol pela esfera celeste ou o plano orbital )
Os signos são desenhados da direita para a esquerda, contrários ao sentido usado no ocidente. A língua do Irã é grafada da direita para a esquerda. Nada nestes tapetes é feito ao acaso.
No centro do tapete, uma construção com características muito semelhantes às de Ulug-Beg , um famoso templo Astronomico-Astrológico dos tempos de Timur.
Para concluir esta pequena introdução, seria conveniente lembrar que o “ Dia Nacional do Irã “ ou seja seu sete de setembro é o “ vinte e um de março “, exatamente no dia do ingresso do sol em Áries! Eles o chamam de inicio do “ Farvardin “. ( Início da primavera )
É bom olhar bem por onde se pisa !
The Story of Carpets Sakhai, E
Oriental Carpets Gantzhorn, V.
Indian Carpets Gans, E.
Timur and the princely vision Lowry, L.
Medalhão Persa Galeria 041 336 2111 – Curitiba- Brasil
Créditos
Foto : Odete Ximenes
Digitalização e tratamento : Paulo de Tarso ferreira
Medalhão Persa – Curitiba – Brasil





